Nos tempos em que o Correio
Elegante abria caminho para o namoro
Elidio Aparecido e Vilma
Teresinha começaram a escrever sua história de amor em uma quermesse
Edu Cerioni
Em
tempos de mensagem instantânea, com direito a vídeo ao vivo e em cores,
resgatamos uma história de Dia dos Namorados que começou com um bilhetinho em
papel chamado de correio elegante, sucesso décadas atrás em quermesses por todo
o país.
Essa é a história de Elidio Aparecido de Oliveira e Vima Teresinha Gênova de Oliveira, tão juntos hoje, por conta do isolamento domiciliar em meio à pandemia do novo coronavírus, como nunca estiveram nessa parceria de longa data que teve o “sim” no altar em 1978. E quer saber? Eles estão adorando esse tempo juntos, com recordações mil.
Olha eu não acho que está fazendo um pouco de frio, e sim muito frio, fico contente por saber que você está topando essa simples correspondência; olha eu estava triste, mas quando te vi
O primeiro
bilhetinho que trocaram, isso em 1973, nos tempos de colegial, ainda está
guardado na casa dos agora educadores aposentados. Foi plastificado por Vilma
para que não se desmanchasse.
Foi
ela quem mandou uma amiga entregar o Correio Elegante para o “simpático rapaz”,
sem se identificar. “Fiquei de longe olhando, da porta do banheiro bem
escondida para tentar ver a reação dele”... e Elidio quase colocou tudo a
perder. É que na resposta ao bilhete ele quis saber se ela “era comprometida”.
“Não gostei, achei que ele queria saber muito, foi uma ousadia sem me conhecer”
diz Vilma, que aos 67 anos dá risada dessa história de quando tinha 18 - é a mesma
idade dele, que é de agosto e ela de outubro.
“Na
quermesse éramos de grupos de jovens diferentes. Eu trabalhava como garçonete
de uniforme e lembro que recebia muitos correios elegantes, que ia colocando no
bolso do avental. E mesmo achando ousadia, o interessante é que joguei todos os
outros bilhetes fora e guardei o do Elidio, mesmo estando na bronca. Olha o que
deu: mais de quarenta anos juntos, um filho, dois netos e muitas histórias
boas”.
Ela
lembra que os dois estudavam Ciências em anos diferentes, ele um ano à frente,
e que gostou de ver quando Elidio chegou à quermesse de sua paróquia junto com
um padre. De família católica fervorosa, Vilma viu ali um ótimo argumento para
ganhar aprovação familiar para seu paquera, já vislumbrando um futuro namoro e
a apresentação a seu pai.
A paquera rolou e o namoro também, marcado por troca de cartas, quando Elidio foi fazer faculdade em outra cidade. Claro que tem carta guardada também. Vilma ficou em Araçatuba e ele foi para Lins. O casamento saiu depois da formatura, em 1978. E foi daí que entrou Jundiaí na vida do casal.
Carta
Elidio passou em um concurso para
professor e os dois vieram morar aqui, onde vivem até hoje. Ela deu aulas e
depois trabalhou anos no serviço público, na Secretaria da Educação Municipal .
Ele seguia na rede estadual e se aposentou como diretor – a última escola foi a
Luiz Rivelli.
“Só
saímos de casa para tomar a vacina e ainda não estamos liberados para passear,
o Fabiano diz que é muito perigoso, ele sabe o que diz”, assegura ela.
Para
matar a saudade, filho, nora e netos vão ao portão da casa deles uma ou duas
vezes por semana. “É a coisa mais linda, eles já usando máscara e dão um
toquinho de mão fechada com a gente”, conta o avô coruja, que recebeu o Título
de Cidadão Jundiaiense.
Netflix,
livros, internet e celular são as ferramentas que usam para se divertir e se
comunicar com amigos e familiares. “São tantas, que todas as mensagens acabam
descartadas logo. Era diferente, você escrever uma mensagem e saber que décadas
depois ela ainda está guardada ali para mostrar às novas gerações”, diz ele.
Elidio
ainda acrescenta que Vilma esqueceu de contar como eram gostosas as
“brincadeiras dançantes” em que iam e onde dançávamos grudadinhos. Foi na saída
de um desses bailinhos que a gente começou a namorar”, e aí vem a história: ele
não sabia o nome dela e começou a lhe chamar de “Bem”, como se tratam até hoje.
E tem mais: “Ele foi me buscar na
escola e falou que, se eu não fosse até
ele, não saberia quem eu era, tinha esquecido minha fisionomia. Só aí perguntou
meu nome” relembra ela aos risos.
“Nossa
história é um barato. Viemos sem conhecer ninguém, não tínhamos um parente aqui
e hoje adoramos a cidade, onde nasceu nosso filho. Araçatuba é só para passear,
porque nos sentimos pertencentes a Jundiaí”.
E
neste sábado 12 de junho, os dois vão fazer um brinde em casa, com espumante Georges
Aubert por conta do Dia dos Namorados. Espumante esse comprado pela internet e
com entrega na residência deles.
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